voltar

NOTÍCIAS & ARTIGOS

Hora de refazer tudo quase que do zero

Hora de refazer tudo quase que do zero

Por Alexandre Ravagnani

MAI | 2020

Por Alexandre Ravagnani

Quem diria que viveríamos isso, podados de conviver com as pessoas, da liberdade de sempre, do direito de ir e vir. Parece que quanto mais evoluímos, mais complexo vai ficando o mundo e eu já parei de tentar entender. 

No fim de cada dia da semana percebo como aquele dia foi produtivo e mesmo com toda a complexidade da casa, das vídeo-aulas dos meninos, das lições de casa e claro, dos afazeres domésticos, percebo que o dia rende, e muito. Depois que começamos a entrar nesta nova rotina de vida e que fomos deixando de lado o estranhamento, ou melhor, depois que abraçamos o estranhamento, noto com somos seres que nos adaptamos e nos moldamos a qualquer ecossistema, mesmo os mais esdrúxulos como este de pandemia. E não quero reclamar não. Somos privilegiados em ter um teto, família, comida e não podemos lamentar da nossa situação.

Mas voltando à nossa capacidade de adaptabilidade, e ao modus operandi da vida, o ruim passa a ser o novo OK, que passa a ser a nova rotina. E como sempre, tento tirar alguma coisa da situação ao invés de achar que existe alguma teoria da conspiração e olhando para o trabalho e a principal atividade que preenche o dia (e parte da noite também), vejo que podemos ser muito mais focados e trabalhar com menos dispersão e distrações. De repente, da noite para o dia, estar conectado virou uma estratégia de sobrevivência, e trabalhar a distância, acabou não parecendo tão distante assim, e até mesmo se acaba interagindo mais, e produzindo com um resultado ainda melhor. 

Minha equipe de criação na Repense é razoavelmente grande, e entre os escritórios de São Paulo e do Rio de Janeiro, somamos umas 25 pessoas trabalhando em formato de squads. Um nome bonito, e que trouxe mais do que tudo, organização, e quando praticamente paramos de ir para a agência da noite para o dia, a organização já estava feita e simplesmente continuamos trabalhando nos grupos já formados e para os mesmos clientes determinados. Ou seja, não houve uma transição brusca e já estávamos suficientemente organizados tecnologicamente para este momento. Mas o que mais me impressionou foi que a equipe passou a funcionar como um relógio. Os prazos sendo cumpridos e não deixando de ser ainda mais pró-ativos. Aliás, isso se intensificou e antes mesmo de haverem demandas vindas dos nossos clientes para o novo momento, as próprias equipes passaram a abraçar a causa e enxergarem a oportunidade de trazer mais relevância e propósito para suas entregas e ideias. Se podemos fazer a diferença, a hora é agora. E sem oportunismo ou ideias descabidas que focam somente em premiações. O objetivo agora é ajudar, pensar no próximo e ter um trabalho com propósito, e isso não tem preço para um criativo.

Muitas vezes nos questionamos sobre o legado do nosso trabalho e agora ele está muito claro e definido. Quando percebemos que todos estão no mesmo barco, é muito mais fácil nos colocar e entender a situação e aí que cai a ficha que o mundo gira para o mesmo lado, que uma ação ruim aqui, impacta o outro lado também, que uma comunidade vizinha ao seu bairro sem acesso à educação, também vai afetar você e todos ao redor, e vice versa, alguns poucos com muito acesso às coisas, também vai afetar aqueles que não tem acesso a quase nada.

E o resultado disso tudo? Além do desejo de sairmos dessa bem e saudáveis, acredito de coração que teremos um mundo unido e mais voltado ao todo do que ao individual, e nosso trabalho como criativos e publicitários, também será o de continuar provocando nossos clientes e suas marcas a pensarem de maneira um pouco mais igualitária e a olharem mais para o próximo. Menos competição das marcas pelo cliente e mais competição das marcas pelas causas que irão adotar.

Menos preocupação com aquela produção milionária filmada no deserto de Dubai e mais preocupação em não zerar o budget para sobrar também para o social. A propaganda irá continuar. A guerra de preço e a competitividade também. Mas sairemos disso tudo diferentes e transformados. Vamos questionar mais certas futilidades que nos cercam e colocar as coisas muito mais em perspectiva.

Talvez nunca mais seja como antes a proximidade e o calor do brasileiro. Aquela mania de falar abraçando o amigo, de cumprimentar todo mundo com um ou dois beijinhos, aquela mesa grande do grupo dos amigos, os almoços em família aos domingos. E vontade e saudades também não vão faltar. Mas vamos encontrar outras coisas dentro de nós mesmos, vamos nos descobrir a até mesmo sermos melhores, e nos superarmos. A verdade é que vamos sofrer menos se encararmos isso como um rito de passagem para chegar a algo melhor. 

A barreira da tecnologia está sendo superada sem grandes sofrimentos e de repente a superamos sem grandes empecilhos. Vejo pela minha mãe, que nunca foi das pessoas mais conectadas que conheço, e que acabou sendo forçada a ficar sozinha em casa, sem sua assistente ou filhos e amigas em sua volta, e que passa a usar o FaceTime como quem usava o telefone fixo, ou baixa aplicativos como quem zapeia o controle remoto da TV. Ela e tantas outras pessoas que passaram a estar conectadas com tecnologias que realmente as ajudam a passar pelo momento da pandemia, consumindo serviços nunca antes acessados ou desejados.

Por essa e muitas outras, nossa volta será diferente. Não somente nosso trabalho haverá mudado, como também teremos mudado profundamente dentro de nós. E eu acredito que isto é mesmo um momento de passagem para este novo mundo que a gente vinha devagarzinho nos preparando. 

E voltando a falar das nossas profissões e dos nossos parceiros de trabalho, aposto que seremos capazes de começar a trabalhar mais em home office, aceitar mais as adversidades e dar mais valor ao nosso poder criativo para ajudar as marcas a também serem mais relevantes e atenderem aos novos anseios dos consumidores que estão começando a surgir. Cada um cobrando o papel social do outro. Mesmo à distância, criei um vínculo muito mais forte com minha equipe e meus pares na agência, a cumplicidade falando mais alto e todos tentando fazer sua parte da melhor maneira possível. Juntos e mais fortes, mas sempre repensando a vida.

Inspire-se e repense com a gente.

Receba os nossos artigos, novidades
e campanhas no seu email e celular.

Enviado! E-mail cadastrado com sucesso!

Erro! Cadastro não realizado, tente novamente mais tarde.

RIO DE JANEIRO

Waze

R. Visconde de Piraja, 495, 11º andar Ipanema - 22410-002 - Rio de Janeiro - RJ
+55 21 2540 6020

Entre em contato com a gente