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Comunicação NÃO Violenta Do individual e pessoal ao coletivo e profissional

Comunicação NÃO Violenta Do individual e pessoal ao coletivo e profissional

Comunicação NÃO Violenta Do individual e pessoal ao coletivo e profissional

AGO | 2021

Comunicação NÃO Violenta Do individual e pessoal ao coletivo e profissional

Por Danielle Melo

Coordenadora de Planejamento

 

Desenvolver formas de praticar uma comunicação não violenta é cada vez mais tendência nas políticas, valores e boas práticas de empresas, pois endossa uma cultura organizacional respeitosa, inclusiva e diversa.

Como se dá a experiência da comunicação não violenta no ambiente de trabalho?

A começar, o óbvio precisa ser dito. Afinal estamos lidando e nos relacionando com pessoas, e cada uma de nós tem individualidades. Não podemos esperar que o outro pense como nós. Essa premissa é básica e válida tanto para a vida pessoal quanto para a vida profissional.

Porém, para falar de comunicação não violenta, é preciso dar um passo para trás e analisar a comunicação em si. Semanticamente falando, comunicação é a ação de transmitir e receber mensagens. Portanto, entende-se como um processo que envolve a troca de informações sejam elas faladas, escritas, simbolizadas e expressadas verbalmente ou por meio de linguagens de sinais, códigos e gestos. Lembrando que, assim como o corpo fala, o silêncio também diz algo.

“Embora possamos não considerar ‘violenta’ a maneira de falarmos, nossas palavras não raro induzem à mágoa e à dor, seja para os outros, seja para nós mesmos”. (Marshall Rosenberg)

Por conseguinte, a comunicação nos leva ao relacionamento cujo significado diz que é o ato ou efeito de relacionar(-se); e na definição mais positiva do conceito, diz que é a capacidade de manter relacionamentos e de conviver bem com os seus semelhantes.

Em tempos nos quais relacionamentos abusivos ganham protagonismo dia após dia e, infelizmente, são cada vez mais comuns e próximos de nossa realidade, é impossível não tratar a origem da dor como comunicação não violenta.

A comunicação não violenta tem como estratégia a escuta ativa e empática, também conhecida como comunicação compassiva. De acordo com o criador psicólogo responsável pela técnica, Marshall Rosenberg, a comunicação não violenta pode ser treinada, ou seja, informada, nutrida, ensinada e exercitada diariamente.

Na contramão dos cancelamentos e dos haters e parafraseando Marshall, “toda violência é a expressão trágica de uma necessidade que não está sendo atendida”. Nesse sentido, a CNV é um processo composto por 4 pilares:

  1. Observação: observar pessoas e comportamentos que afetam o nosso bem-estar. Sem avaliar e sem julgar, lembre-se que críticas geram reação e resistência.
  1. Sentimento: a partir da observação, identificar de forma clara e específica nossas emoções e sentimentos em relação ao contexto, indivíduo ou situação.
  1. Necessidades: a partir dos sentimentos, reconhecer as necessidades, valores e desejos que estão por trás das observações realizadas e de nossos sentimentos sejam eles quais forem.
  1. Pedido: não é exigência, é expressar pedidos genuínos que também envolve consciência. Quanto mais claros formos sobre aquilo que desejamos, mais provável será que consigamos. 

Em seu livro sobre o assunto, Marshall Rosenberg pontua sobre a autoempatia que “A CNV melhora a comunicação interior, ao nos ajudar a traduzir mensagens internas negativas em sentimentos e necessidades”.

A comunicação não violenta serve como um guia no processo de reformulação da maneira de se expressar com o outro, com honestidade e compaixão para enriquecer nossa vida, assim como da maneira de escutá-lo e recebê-lo com respeito e empatia.

E como essa prática diz muito sobre o que Mahatma Gandhi pregou ao mundo e nos deixou como legado: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Esse processo de transformação contínuo tem como base o respeito que permeia os campos racional e emocional. Tem como definição ato e efeito (ação e reação) positivos por algo ou alguém. Portanto, praticar o respeito não significa concordar racionalmente em todos os aspectos, mas significa não praticar comunicação violenta ou ser como tal. Respeito também é sentimento e tange a empatia.

Não é à toa que são patrimônios culturais os escritos e pinturas de José Datrino, popularmente conhecido como Profeta Gentileza, “Gentileza gera gentileza”.

Ao compilar toda essa teoria e citações de CNV e trazer para o contexto corporativo e dos diversos ambientes de trabalho, a comunicação interna organizacional pode implementar ações de endomarketing como campanhas e programas de treinamento e boas práticas para disseminar esse mindset cultural. Para uma comunicação mais acertada e efetiva, recomenda-se um diagnóstico com levantamento dos dados do cenário atual colocando em prática a observação e a escuta ativa em relação aos seus colaboradores.

Contra fatos e dados não há argumentos, é preciso agir com Comunicação Não Violenta.

Uma pesquisa feita ano passado em parceria com o Instituto Locomotiva com apoio da Laudes Foundation sobre percepções da população a respeito da temática de violências e experiências de assédio e constrangimento vividas pelas mulheres no trabalho revelou que apesar de ambos os sexos sofrerem assédio em empresas, a mulher está em situação mais desfavorável devido ao ambiente corporativo reproduzir valores de cunho machista e que acabam sendo habitualmente condutas normalizadas. Confira alguns dados da porcentagem de trabalhadores que já sofreu algum tipo de assédio:

Fonte: Instituto Patrícia Galvão, Instituto Locomotiva e Laudes Foundation. Infográfico elaborado em: 04/12/2020. Retirado de G1.

Outra pesquisa divulgada no ano passado pelo LinkedIn e pela consultoria de inovação social Think Eva mostra que quase metade das mulheres entrevistadas já sofreu assédio sexual no ambiente de trabalho e que uma em cada seis vítimas pede demissão.

De acordo com dados do Tribunal Superior do Trabalho, o Brasil registra mais de 26 mil casos de assédio sexual no ambiente de trabalho nos últimos seis anos, que equivalem a cerca de 7 processos diariamente.

Dados que se comprovam em todo o mundo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual no ambiente de trabalho.

Por fim, um painel com dados atualizados do primeiro semestre de 2021 pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos sobre violações de direitos humanos comprova os números em diferentes cenários como local de trabalho da vítima e do agressor, que possuem maiores índices nos eixos SP-RJ-MG.

Fonte: Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Dados Atuais – 2021. Retirado de Governo Federal – gov.br.

Comunicação não violenta é assunto sério a ser tratado e cuidado. Geralmente as empresas possuem um ou mais canais de comunicação específico e confidencial para denúncias, bem como um comitê de ética, integridade e conformidade ou área responsável por compliance, pessoas, diversidade, ESG e outras. Prezar pela experiência positiva do colaborador é compromisso ético e responsabilidade social. 

 

Por: Danielle Melo.

Em: 15/07/2021.

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